Amor em preto e branco
Eu não era outra coisa senão a busca de mim pelo amor. Eu poderia ter você em qualquer instante dentro daquelas horas, com qualquer toque, bastava minha disposição cínica para que você acreditasse no meu interesse. Preferi não arriscar.
A tarde ainda estava presa, como se o tempo do mundo inteiro fosse ordenado pelo que meu coração acreditava: o final de semana duraria toda uma vida se, pelo menos daquela vez, eu arriscasse amar, passaria rápido e alegre, sem remorsos, se você me surpreendesse. Sem tic-tac. Sem alarmes ou sustos. Preto e branco.
E como era bom ter o tempo por dentro.
O silêncio foi um acordo velado. Sua descoberta calma de que possuia maturidade suficiente para me superar num futuro relacionamento foi sua vitória honesta, que a tornaria melhor do que eu. Mas queria me ouvir dizer novidades inteligentes, cruas, despertas, sobre tudo, sobre mim, sobre o filme que assistíamos. Enquanto eu pesava as idéias, tentando descobrir no que poderia me transformar, enquanto pensava que não era possível definir alguns filmes, você explorava meu tempo, meus olhos complacentes, minhas acomodações, e divagava sobre seu relacionamento de 6 meses, da sua fuga para a Venezuela, de suas roupas caras mesmo estando em promoção.
Eu tentava me agarrar à realidade, aos detalhes de nossas vidas, aos seus motivos para não querer seguir para onde o destino a carregava. Eu me achei em você, é fato; sem amor dos grandes, um mergulho corajoso no desconhecido, ouvindo você declarar abusivamente que suas coxas e panturrilhas merecem atenção considerável pelo esforço que é feito, porque você entende o que é gostar de si.
As mãos eram cúmplices, de toques delicados, de veias grossas que carregavam nossas vidas em momentos diferentes. Eu poderia ter deixado tudo em mim correr em oposto, voltar apenas, retroceder, que nem assim o tempo seria outro. O beijo, sem susto, apenas arrepio. Duas frases em quatro horas. Arrepios por nada para um querer tão verde quanto o meu.
Eu não precisaria mais achar que estava morto, todo dia.
Nem precisaria esperar notícias minhas pela sua boca sem forças ou pelo olhar de quem nem existe na minha vida.
Da sua carne meus mistérios não surgiriam; seu bocejo quase me fez parecer insuportável; seu tempo claro me tornaria inoportuno, se você fosse minha escolha mais voraz.
Esperei você dizer alguma verdade espontânea e tornar-se minha flor-do-dia: uma descoberta fixa, humor comedido, para durar até antes do sol dormir, e quando anoitecesse, mais descobertas de um mundo, onde se é livre da dor, não surgiriam, e ninguém chegaria oferecendo amor para sempre, ou só por aquela noite. Fadado ao velho, à aspirações primevas, à explicações torpes, meus mistérios, morreram, e com eles meu jardim-de-outras-chances.
Estávamos distantes 26 livros por ano, 26 conteúdos, e milhares de palavras novas, mais limpas e vivas que seu “Caraaaaaaca!”. Eu preferia livros, e você suas coxas, o que me deixava satisfeito, em termos, porque eu também as queria por mais uns dias. Porém, estávamos separados. Mesmo beijados. Éramos outros. Se amor era sugestão, toda aquela paixão, então, precisava de concisas reconsiderações: Enquanto o amor não vinha a gente brincava de ser feliz.
A tarde ainda estava presa, como se o tempo do mundo inteiro fosse ordenado pelo que meu coração acreditava: o final de semana duraria toda uma vida se, pelo menos daquela vez, eu arriscasse amar, passaria rápido e alegre, sem remorsos, se você me surpreendesse. Sem tic-tac. Sem alarmes ou sustos. Preto e branco.
E como era bom ter o tempo por dentro.
O silêncio foi um acordo velado. Sua descoberta calma de que possuia maturidade suficiente para me superar num futuro relacionamento foi sua vitória honesta, que a tornaria melhor do que eu. Mas queria me ouvir dizer novidades inteligentes, cruas, despertas, sobre tudo, sobre mim, sobre o filme que assistíamos. Enquanto eu pesava as idéias, tentando descobrir no que poderia me transformar, enquanto pensava que não era possível definir alguns filmes, você explorava meu tempo, meus olhos complacentes, minhas acomodações, e divagava sobre seu relacionamento de 6 meses, da sua fuga para a Venezuela, de suas roupas caras mesmo estando em promoção.
Eu tentava me agarrar à realidade, aos detalhes de nossas vidas, aos seus motivos para não querer seguir para onde o destino a carregava. Eu me achei em você, é fato; sem amor dos grandes, um mergulho corajoso no desconhecido, ouvindo você declarar abusivamente que suas coxas e panturrilhas merecem atenção considerável pelo esforço que é feito, porque você entende o que é gostar de si.
As mãos eram cúmplices, de toques delicados, de veias grossas que carregavam nossas vidas em momentos diferentes. Eu poderia ter deixado tudo em mim correr em oposto, voltar apenas, retroceder, que nem assim o tempo seria outro. O beijo, sem susto, apenas arrepio. Duas frases em quatro horas. Arrepios por nada para um querer tão verde quanto o meu.
Eu não precisaria mais achar que estava morto, todo dia.
Nem precisaria esperar notícias minhas pela sua boca sem forças ou pelo olhar de quem nem existe na minha vida.
Da sua carne meus mistérios não surgiriam; seu bocejo quase me fez parecer insuportável; seu tempo claro me tornaria inoportuno, se você fosse minha escolha mais voraz.
Esperei você dizer alguma verdade espontânea e tornar-se minha flor-do-dia: uma descoberta fixa, humor comedido, para durar até antes do sol dormir, e quando anoitecesse, mais descobertas de um mundo, onde se é livre da dor, não surgiriam, e ninguém chegaria oferecendo amor para sempre, ou só por aquela noite. Fadado ao velho, à aspirações primevas, à explicações torpes, meus mistérios, morreram, e com eles meu jardim-de-outras-chances.
Estávamos distantes 26 livros por ano, 26 conteúdos, e milhares de palavras novas, mais limpas e vivas que seu “Caraaaaaaca!”. Eu preferia livros, e você suas coxas, o que me deixava satisfeito, em termos, porque eu também as queria por mais uns dias. Porém, estávamos separados. Mesmo beijados. Éramos outros. Se amor era sugestão, toda aquela paixão, então, precisava de concisas reconsiderações: Enquanto o amor não vinha a gente brincava de ser feliz.


12 Comments:
Eu te AMO.
Lindo isso!
Um beijo enorme p vc. Tô com uma saudade daquelas!
Adorei seu blog,parabéns!
Quanto ao meu estar no top 10, onde?que selo?
beijos
depois q eu digo q vc deveria publicar em livro... vc não me acredita!
"Fadado ao velho, à aspirações primevas, à explicações torpes, meus mistérios, morreram, e com eles meu jardim-de-outras-chances..."
muuuuuuuito bom !!!!
Pensando aqui nos termos a usar...
Um texto duro mas suave... objetivo, cru, limpo e ao mesmo tempo extremamente sensível... como pode? risos
Confesso que vim aqui pela curiosidade causada pelo nome do blog. Mas deparei-me com textos de excelente qualidade que não pude deixar de ler.. alguns. Mas muito bons.
Sabe quando se bebe algo e precisa-se de um tempo pra captar o sabor final? Ainda em degustação de algumas passagens desse último texto... ainda fazendo paralelo... ainda me pondo de um dos lados, e o pior que não é lado mais óbvio.. risos
Acho que terei parada obrigatória por aqui de hoje em diante.
;o)
Excelente!
Clap, clap, clap, clap!
Beijos.
Olha só...rs Qtas coincidências!
Muito bom mesmo...
Adorei aquele blog!
Eu, que nem gosto de filmes...rs
Comigo tá tudo... ... menos como eu gostaria
Tendeu?rs
Beijão!
Como uma conversa suave em frente á lareira enquanto você acaricia as mãos de sua amada.
Que suavidade fascinante esse seu texto. Muito bom.
Deu até pra ouvir seu tom de voz, hehehe.
Rapaz talentoso com as letras você.
Parabéns, moço.
Grande abraço.
Na falta de novo post... vim agradecer as suas palavras gentis, Neto (posso tratá-lo assim ou terei que dialogar com o Sr. UMNACC? risosss... arre que isso daria um trabalhão pra lembrar. risossssss)
O Mar® está sempre de 'portos' abertos. risos
;o)
ai, neto, tá lindo!!!
mas deprê...tá virando uma constante...pelo menos pra mim...rs
bjo!
te amo!
Olá, cheguei aqui pelo Mar da Cacauzinha... e fiquei estasiada.. que lindo, amei.. voltarei.
Parabéns pelo espaço.
Beijo
[...] Arrepios por nada para um querer tão verde quanto o meu.
Belíssima descrição!
Através do Mar da Cau aportei por aqui, perder o sono tem suas vantagens..rs
Acredito q o vento do meu deserto me trará novamente por aqui.
Beijo
Post a Comment