Recebi e-mail. Adorei. Um prazer recebê-lo:



"Oi Raimundo,Tudo bom??Estamos entrando em contato com você porque gostamos muito do seu blog. Escolhemos alguns blogueiros de para mandar um release comconteúdo exclusivo sobre o lançamento do filme Cão Sem Dono e você é um deles. Então em anexo estou te mandando o release, o filme será lançado dia 11 de Maio em todo o país, caso queira postar, sinta-se à vontade.
Um abraço, Nathalia Lemos"
Gostei do release. Supreso com tudo.
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O que é a Maria:


"Poderíamos começar a apresentar a Maria dizendo que é uma empresa que pensa e trabalha comunicação e produção de projetos com foco exclusivo na cultura. Mas o simples fato de chamar a Maria de empresa não é o suficiente para transmitir a nossa essência. É mais fácil imaginar a Maria como um lar, um local onde todos os alicerces da cultura se encontram e confraternizam. Onde se estimula a criatividade e as mais diferentes idéias e pensamentos proliferam. Um lugar onde qualquer projeto cultural possa sair do papel e ganhar vida. Aqui se pensa cultura de uma maneira diferente. Nós não temos concorrentes, e sim parceiros. Acreditamos que uma sociedade com mais cultura é uma sociedade mais evoluída, e vamos batalhar sempre por isso. Essa é a filosofia da Maria: viver cultura."

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O que é o Cão sem dono:



"BETO BRANT se Prepara para Estrear Novo Longa
Cão sem Dono é o novo longa do ótimo cineasta paulista BETO BRANT (dividindo a direção com Renata Ciasca), cuja estréia está marcada para 11 de maio em Porto Alegre, base das locações. Mas o filme será exibido antes em Recife, onde é um dos fortes concorrentes ao Troféu CALUNGA na décima-primeira edição do CinePE, que começa na próxima segunda, 23.
As ações de comunicação digital do filme já começaram:
Um site específico para Porto Alegre, blog, trailers, pílulas no You Tube, personagens no Second Life, promoções, e até mesmo perfis e comunidades no orkut, integram as ações.
Cão Sem Dono foi realizado numa parceria entre as produtoras Clube Silêncio, de Porto Alegre, e Drama Filmes, de São Paulo. O filme é baseado no livro Até o Dia em que o Cão Morreu, de Daniel Galera, e traz no elenco os gaúchos Júlio Andrade e Tainá Müller, além do cachorro Churras, fiel acompanhante do protagonista.
As ações de comunicação na internet são desenvolvidas pela Maria Cultura (
www.mariacultura.com.br), empresa gaúcha que trabalha comunicação e produção de projetos com foco exclusivo na cultura. As atividades integram a programação de pré-lançamento do filme em Porto Alegre.
Através do site
www.caosemdonopoa.com, os internautas podem acessar a sinopse do filme, vídeos com depoimentos dos personagens, trailers, links para os outros meios digitais e para o site oficial do filme, entre outras novidades. A imprensa também terá seu espaço na página com um link no qual os jornalistas terão acesso ao press book, fotos em alta-resolução e o cartaz do filme.
Além dos personagens principais da trama, o alvo das ações no sul é o cachorro Churras, que marca presença em todas as atividades ligadas ao lançamento do filme. O cão também é destaque no site, com vídeos, álbum de fotos com outras celebridades e como personagem de uma das promoções disponíveis na página. Trata-se de um jogo virtual no qual as pessoas têm de adivinhar o nome de cães famosos de séries televisivas, filmes, desenhos animados, entre outros.
As novidades digitais continuam com a presença do Ciro e do Churras no Second Life. Eles serão os primeiros personagens de filmes nacionais a interagirem no mundo virtual da internet. No local, Ciro veste uma camiseta promocional do filme, a qual será disponibilizada gratuitamente ao internauta que solicitar a roupa ao personagem.
Cão Sem Dono é a observação de um relacionamento amoroso, escrita com as cores íntimas de um retrato de geração. Narra o encontro entre Ciro, recém-formado em Literatura e atravessando uma crise existencial marcada pelo ceticismo e pela falta de planos, e Marcela, ambiciosa modelo em início de carreira, que se entrega de forma obsessiva ao seu trabalho, com isso adiando a realização de qualquer sonho.

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Daniel Galera, quem é:


"Daniel Galera é autor do hoje festejado Mãos de Cavalo (Companhia das Letras, 2006, 192 págs.). Estreou na internet como editor do site Proa da Palavra (1997-2000), foi colunista do ezine mais famoso do Brasil, o CardosOnline (1998-2001), e fundou a editora que virou referência em matéria de autores estreantes, a Livros do Mal (2001-2004), em Porto Alegre, junto com Daniel Pellizari e Guilherme Pilla.Galera é também autor do volume de contos Dentes Guardados (Livros do Mal, 2001 ) ... e de outro romance, Até o dia em que o cão morreu (idem, 2003). Foi adaptado para teatro por Mário Bortolotto e está sendo adaptado agora para cinema por Beto Brant. Galera ainda mantém o blog Rancho Carne e toca descompromissadamente na banda Blanched. Como tradutor, verteu para o português nomes como Johnatan Foer, Robert Crumb e Irvine Welsh."
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Fotografia: Tatiana Fomichyova
(http://www.pbase.com/tatien/misc)






Peito aberto

Chegou, finalmente, até mim, depois de ter se permitido viver o resto do mundo, e disse que eu era possível.
Disse-me que o que sinto é compreensível e sem medidas, que não é exagero ou impossível. Aceitou que meu bem-querer-para-sempre-seus-sentimentos, e meu modo peculiar de fogo brando, não são facilmente substituíveis, pois existir desse modo é ter intensidade, coragem inseparável, é chorar quando a fraqueza habita pequenos espaços, é pedir socorro quando a dor escura é de matar.
Entre nós, menos de um palmo. Seu olhar fazendo-me ser eu mesmo; seu amor calminho, calminho, vasto, campo aberto, prazer de acompanhar melhores músicas, som e chuva em comunhão, rio de água mansa, e profundo.
Profundidade que me faz tremer quando mergulho; o ar a escapar-me facilmente. Você, então, me prende, me pede que eu permita a inundação, que eu morra dentro desse amor para nascer de novo.
A explicação serena, brisa verde-limão, absinto em meia taça, fez-se, enfim, sensível àquela nossa história:
“Você nunca amou.
Sempre quis saber o que é; teve medo, no entanto.
Agora.
Estou aqui.
Digo: é possível sermos clichê.
Um ao lado do outro.
Em qualquer lugar do mundo.”
Depois de enxutos, trancados no quarto, abertos em sinceridade, no escurinho daquele espaço, nossos sentimentos tornam-se claros.
Nos reconstruímos.
Além dos gemidos e risadas, amiúde, abusados, algum outro afeto tornou-se desperto, reconhecível, transparente, semi-preciosidade, acompanhando o filme, no qual a mocinha construía seu roteiro de vida junto a seu homem preferido.
Olhamo-nos, cúmplices, olhos brilhando de entendimento mútuo, de castanho para castanho, presos cada um em sua avidez sem precedentes, mas tranqüilos, e declaramos em diálogo:
“Estás sentindo o mesmo que eu?” “Depende! O que estás a sentir?” “Vontade de, não sei ao certo, de gritar, explodir, de viver de você!”



Pó de mim


Eu tenho, sim, fome de pessoas de dois em dois dias. De hora em hora é fome, não de aventura, mas de comida sem saúde. Como até entalar; vômitos quase provocados, mas sem bulimia, apenas outras neuroses.Quando se tem fome de gente, aí sim surge uma tal de bulimia de existência; é quando forço meus conteúdos e os expulso, tremendo, sem querer gemer, porque gemer de não mais querer algumas pessoas me deixa pequeno.
Como também os restos que os outros deixam em mim me faz parecer pequeno; é que nem sempre somam-se todos os pedaços de uma forma útil.

Sem cerimônias. Cheguei a odiar orifícios oferecidos; ora, sei que sou meio porco, meio sujo, meio quase nada, mas ainda havia amor em mim, e meus bons sentimentos não cabem em buraco nenhum. Não porque os buracos sejam pequenos;mas me digam: alguém já viu vãos internos e sujos receberem bem o amor?

Já me vesti bonito, com um estilo casual-sou-fácil-e-comestível pra gente que ficava tentando encontrar justificativas coloridas no meu olhar-exclamação e no meu sorriso-reticências sem mistérios “O que esse menino quer da vida?”. Vesti-me para ser normal, mais normal que nunca. Fazendo das roupas comuns uma segunda pele porque a primeira estava morta, coberta de células sem coragem pra viver, que caíam e deixavam um rastro de poeira; e assim eu entendia o que era retornar ao pó: esse outro mundo sujo, coberto de preguiça e mormaço, de sorrisos amarelados e perdidos, estando eu deitado em dezenas de camas, com uns 37 atos sexuais praticados e distribuídos por umas 13 pessoas, sem relacionamentos consideráveis; números importantes, pessoas desconsideradas; gente que não me fez encher o peito e ganhar o mundo como uma nova invenção de mim: um passarinho-raimundo que ganha o mundo, recebendo de presente dedos apontados, e encantados de ver um passarinho que solta pó de vida enquanto vai subindo, subindo...

Alguém aí já quis virar passarinho quando descobriu que amor é quase impossível e que só resta voar?

Distribuí-me, cheio de conteúdo. Aspirei homens e mulheres: mulheres que eu quis, no começo da vida, e homens que admirei tanto, tanto, querendo ser cópia fiel e alienada. Deixei pedaços em motéis, mas não deixei dinheiro (sempre tive a desconsideração de nunca pagar a conta de motel... Poxa, eu seria o primeiro homem que levaria verdade para aquela merda! Muito embora, às vezes, seja preferível pagar-se a conta e não proferir verdade alguma).

Não rasgaram minha roupa, não despedaçaram meu coração. Fiz de mim máquina moderna de moer neuroses e fabricar sonhos; deixei fios soltos pra que pudessem ser repuxados, remexidos, e reaproveitados: "Esse pedaço vai pra cima; esse outro pra baixo; seu nome é melhor na boca dos amigos; seu coração é mais bonito quando se está longe dele; seu sorriso é amarelo e seu olhar é de pôr-do-sol; e você, Raimundo, ao contrário do que, pretensiosamente pensa , não serve pra namorar".

Aspirei quem eu pude, os pós que me importavam. Perversamente, e com cuidados, triturei todos os pedaços alheios, fiz uma salada de futilidades e sexo casual, embriaguei-me de poesias outras, de outras almas, que nem sabem que vivem, e me joguei do alto do que eu sou em dias de decepção: Cai leve, fragmentado, em absurdo, com despreparo. Eu não era mais gente, eu era expectativa e instinto; não instinto de bicho, porque eu sou homem demais, ser humano demais, em processo evolutivo, pra me render a um conceito deturpado desses. Era instinto de homem cheio de fantasias, que vira pó pra parecer grande, que vai se juntando aos restos que lhe cabem, até perder-se por completo, ser segurado na palma de uma mão qualquer e ser soprado para a vida, para o mundo, em estado de alegria e pó.
(05.12.06)









Amores Expressos

Desde que foi publicada uma primeira nota (que não sei de quem partiu, visto que em tudo quanto é blog de literatura contém informações/alfinetadas/comentários a respeito) sobre o projeto "Amores Expressos" da Companhia das Letras a confusão anda dando o ar da (des) graça no meio literário, por assim dizer.

O projeto, por Sérgio Rodrigues:

"Polêmica expressa

O projeto “Amores expressos” vai mandar 16 escritores brasileiros – alguns inéditos em livro, alguns consagrados, a maioria no meio do caminho – passarem um mês com tudo pago em alguma cidade do mundo, de onde eles se comprometem a voltar com um romance de amor para ser publicado pela Companhia das Letras (embora a editora se reserve o direito de só aproveitar parte do material) e, se tudo correr bem, adaptado para o cinema. Nas andanças por sua cidade turística de eleição (o destino foi escolhido pelos organizadores), cada um será acompanhado durante três dias por uma equipe de cinema, que transformará em documentário esse périplo de 16 autores em busca de 16 histórias.

A notícia do projeto, idealizado pelo produtor cultural Rodrigo Teixeira, 30 anos, responsável pela coleção de futebol Camisa 13 (DBA e Ediouro), explodiu na “Folha de S. Paulo” de sábado e provocou uma agitação incomum nas águas paradas da literatura brasileira. Pode-se afirmar – com algum exagero, claro, mas não mais que o protocolar em clichês como este – que desde então escritores e editores não falam de outra coisa.

Parte do burburinho se explica pelo custo total do projeto: R$ 1,2 milhão, grana vistosíssima num mercado franciscano. O fato de “pouco menos de metade” desse valor, segundo Teixeira, ser dinheiro de renúncia fiscal, captado ou ainda em fase de captação pela Lei Rouanet, contribui para a polêmica – uma polêmica que, justiça seja feita, deveria ir muito além desse caso e envolver um debate sério sobre o próprio mecanismo de financiamento de produtos culturais pelo contribuinte. Não menos ruidosas são as críticas provavelmente inevitáveis à lista de eleitos, elaborada por Teixeira e pelo jovem escritor carioca João Paulo Cuenca, contratado como “coordenador editorial”.

Será que se trata, afinal, de uma jogada de marketing brilhante pela capacidade de “esquentar” uma atividade – a ficção made in Brasil – sabidamente pouco atraente para investidores? Ou de um chamativo bolo midiático em que a ficção entra no papel de cereja? Ou ainda, como escreveu com rapidez no gatilho o escritor Marcelo Mirisola (uma das incontáveis ausências na lista dos 16) em carta publicada na “Folha” de domingo, de uma ação entre “amigos de farra”, com “um ou dois figurões acima de qualquer suspeita” para disfarçar?

“Os critérios de seleção foram de afinidade literária, interesse editorial e química com as cidades de destino”, diz Cuenca, acrescentando que Mirisola “não merece resposta”. Teixeira inclui a palavra “gosto” entre os critérios de seleção, mas isso talvez seja um sinônimo de “afinidade”. “A gente pensou em muitos outros nomes, e pode ser que um ou outro tenha ficado chateado, mas um projeto com 35 seria inviável”, afirma. A decisão de incluir autores que nunca publicaram um livro próprio explica a presença na lista de nomes verdes como Antonia Pellegrino, Cecília Giannetti e Chico Mattoso, enquanto o time dos consagrados é defendido por Sérgio Sant’Anna, Bernardo Carvalho e Marçal Aquino.

Segundo a diretora editorial Maria Emilia Bender, a Companhia das Letras se associou ao projeto porque seis dos selecionados são autores da casa e porque ele dá à editora a oportunidade de “eventualmente abrir seu leque para um autor brasileiro novo, coisa que a gente está sempre buscando”. No entanto, manifestações de insatisfação entre outros escritores da Companhia levam Maria Emilia a frisar que o projeto não é da editora, mas de Rodrigo Teixeira. “A plêiade, digamos, não foi eleita por nós”, diz. Acrescenta que todos os autores, mesmo os que têm vínculo com a casa, toparam correr o risco de ter o livro rejeitado. “Isso nós deixamos bem claro aos organizadores, mesmo porque a lista é bem heterogênea no que diz respeito à experiência”, afirma.

Quem for de fato publicado ganhará da Companhia adiantamentos de praxe no mercado, calculados com base numa tiragem de 3 mil exemplares. Publicado ou não, porém, cada autor embolsará da empresa de Rodrigo Teixeira, limpos, R$ 10 mil a título de cessão de direitos de imagem e de adaptação para o cinema da futura história. As despesas de viagem não estão incluídas nesse valor.

Sobre a pauta, vagamente reminiscente de primeiro capítulo de novela das oito da Globo – a busca de uma história de amor em alguma cidade estrangeira –, Maria Emilia é cautelosa: “Dependendo do autor, qualquer pauta vale. Ou não”. Rodrigo Teixeira aposta na viagem como “uma forma de abrir mais a cabeça dos autores, independente da qualidade do material que vai sair”.

Em abril, embarca a primeira leva:
Antônio Prata (Xangai),
Cecília Giannetti (Berlim),
Daniel Galera (Buenos Aires),
João Paulo Cuenca (Tóquio)
André de Leones (São Paulo!).

Em maio,
Amilcar Bettega (Istambul)
Joca Reiners Terron (Cairo).

Em junho,
Adriana Lisboa (Paris),
Chico Mattoso (Havana),
Lourenço Mutarelli (Nova York)
Reinaldo Moraes (Cidade do México).

E em setembro,
Antonia Pellegrino (Bombaim),
Bernardo Carvalho (São Petersburgo),
Luiz Ruffato (Lisboa),
Marçal Aquino (Roma)
e Sérgio Sant’Anna (Praga).

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A polêmina continuou (e continua):

O que diz Cecília Gianneti, dando voz a Sérgio Sant' Anna:

"DO NO MÍNIMO

Não tenho mais nada a dizer sobre o circo que se armou desde que foi divulgado o projeto Amores Expressos, do qual faço parte como autora. Repito o que afirmei antes: Não tenho outra maneira de justificar minha participação neste projeto além de escrever a história que ele pede de mim.

No blog de literatura do No Menino foi publicada a opinião do Sergio Sant´Anna, que reproduzo aqui:

"Os sentimentos que mais inspiram a escrita são a raiva e o medo, o pavor." SUSAN SONTAG

"Com a palavra, Sérgio Sant´Anna

Sérgio Sant´Anna, um cara respeitadíssimo aqui no blog, não só como escritor mas como amigo, me pede que publique o recado abaixo sobre a polêmica do projeto "Amores expressos", que ele integra (vai para Praga):"

Avisado por uma amiga que comentários irados e espumantes estavam chegando em grande quantidade à coluna Todoprosa, no site NoMínimo, fui lá conferir. E, na verdade, apesar dos ressentidos e invejosos (poucos) achei a coisa muito bem humorada. Mas é repugnante que um mau-caráter como o tal de Arnaldo diga que eu fui ao Programa Internacional de Escritores, na Universidade de Iowa, EUA, com uma bolsa da Ditadura Militar. Fui selecionado para o programa pela Fundação Ford, que me concedeu a bolsa e passagens, para mim e minha mulher. Isso depois de uma apreciação de meu livro de estréia, O sobrevivente, em edição das mais modestas, custeada por meu pai, com um empréstimo que nunca paguei. Também o pessoal da Ford no Rio me submeteu a uma entrevista. Arnaldo também dá uma de dedo-duro falando na caixa de maconha que me apresentaram, como boas-vindas, assim que cheguei. Mas que tolice, maconha lá era fumada como aqui se toma cafezinho. E garanto a todos que a vida americana, naquela época, era muito melhor do que na era Bush. Quanto às minhas relações com a Ditadura, eu respondia na época a um Inquérito Policial Militar, presidido pelo Marechal Nilo Horácio de Oliveira Sucupira, por minhas atividades subversivas no exercício de minhas funções de Auxiliar de Escritório e sindicalista, na Petrobrás, meu primeiro emprego, em BH. Décadas depois fui anistiado e meus documentos estão lá, na Comissão de Anistia. Mas prefiro terminar essa nota brincando com Marcelo Mirisola. Meu caro Mirisola,você se esqueceu de que no ano passado me pediu uma carta de recomendação para uma bolsa da Secretaria de Cultura de São Paulo, para ser sustentado, só escrevendo, durante um ano? Não se lembra de que recomendei você como uma verdadeira sumidade de nossas letras? Será que o seu ressentimento de agora é por se considerar um bolsista municipal, enquantos outros vão escrever, como eu, em lugares lindos e que inspiram amores, como Praga? Mas concordo que você foi injustiçado, não sendo incluído em Amores Expressos. Sugiro que essa injustiça seja reparada e você vá escrever uma história de amor na Transilvânia. Abraços.

Sérgio San´Anna.
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Mais informações:

Cecília Gianneti - www.escrevescreve.blogger.com.br
Sérgio Rodrigues
- todoprosa.nominimo.com.br
(*imagem: fundo - site: Entre Linhas - TV Cultura)



Botão de amor


"Que lógica há nessa desrazão caótica, que me liga a ti, que me fez procurar no cinza de um outono falso? Te foste numa gigantesca flor de luz, uma pétala desavisada brotando antes do tempo."
Cíntia Moscovich


História de flor não tem introdução; um prefácio, talvez. Destarte, Flor-Alex, escolhida, denominada, mistura de rosa e sertão, de vermelho e marrom, brotou; não se sabe se de semente ou de outro mistério mais natural, se é possível assim ser; apenas entende-se que Flor-Alex parece mulher, pelas lágrimas que faz germinar quando muito espera o amor que sempre quis; amor outro que andava vivendo e colhendo outras flores sem a miscelânea encantadora da espécie de Flor-Alex: que nasceu quando alguém, sem muitas especificações, homem ou mulher, flor do dia ou da noite, sol ou lua, quando esse alguém, flor também, sonhou, generosamente consigo mesmo, e quis uma mulher como ela, que fosse flor, flor de substância, que fosse Alex, que tivesse rima ao dançar, belas conjugações ao se expor, ótimas flexões quando faz da sua boca centro das atenções, que sabe formar nuvens miúdas de um céu recém-inventado ao fumar, e ao sorrir torna inexplicável a vida que as raras Flor-Alex fazem acontecer: no coração de quem ama uma flor como ela.

É mulher. Bem sabe. Mas flor no existir: entrega suas pétalas, sem balançar; deixa sua seiva, em estado bruto, humanamente discreta, escorrer livre, para que seu bem-me-quer-mal-me-quer-juízo seja motivo de alegria para outra flor. E que elas se misturem, que sejam benditas entre as mulheres. E que quando amolecidas pelo calor aflitivo e pela dor incurável do amor sem precedentes, elas saibam fazer-se mancha tinta em roupa branca: irrecuperavelmente sem solução, sem desbotar, para sempre ali em estampa, uma mono-cor, fazendo parecer desajeitado o que nasceu pra ser perfeito: o amor de duas flores.

Ao dormir, com sentimentos de flor de todo dia, ela pensa com seus botões de amor “Há de existir uma flor como eu. Há de existir.”



Dobradinha




As Invasões Bárbaras

Título Original: Les Invasions Barbares
Gênero: Drama
Direção: Denys Arcand
Roteiro: Denys Arcand







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“ – Compreenda, Irmã, meu filho é um capitalista ambicioso e puritano. E eu sempre fui um socialista voluptuoso.

- Libidinoso.

- Libertino.

- Lascivo.

- Devasso.

- Como vai, meu libertino?

- Melhor!

- Quero lhe dar um beijo, sua víbora lúbrica.

- Está vendo, Irmã? Minha esplêndida nora, minha estóica mulher, e minhas mais charmosas amantes! Posso morrer em paz!

- E arder nas chamas do inferno!

- E não estarei só. Não sei das suas, mas conhecendo as torpezas passadas dessas duas amantes, com certeza, assarão comigo.

- E não trocaria de lugar com a senhora, Irmã, condenada a tocar harpa eternamente sentada entre João Paulo II, um polonês sinistro, e Madre Teresa, uma albanesa viscosa. E isso é uma verdade etnológica Louise! As albanesas costumam ser viscosas e os poloneses são sempre sinistros.

- 'Pois as desgraças da Polônia são provas da existência de Deus.' "

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"- Qual é a idade dela?

- Não se trata de idade. Seus seios são maiores que seu cérebro.

- Pára com isso.

- É sério. A quantidade de sangue necessária, só para irrigar tudo aquilo exaure o cérebro. É uma evidência fisiológica."

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"- Nunca vou entender os homens. A vida toda só namorei covardes que pensavam em sumir depois de satisfazerem comigo seus baixos instintos. Pois outro dia, querendo agradar, eu disse ao meu velho caubói ‘É o máximo ter um caso puramente sexual na nossa idade’. Ele se irritou. Disse não querer ser homem objeto, falou da vivência do masculino. Evocou a ausência do pai; disse querer explorar o lado feminino do seu eu profundo. Em suma, foi insuportável. A última coisa que quero é um pau mole sentimental. Quero que me coma com firmeza. Só isso. Sensibilidade e inteligência, tenho por dois."

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"- Quando conheci Sebastien, disse a mim mesma ‘Este é para sempre, não haverá outros!’

- Espero que dure... pois o amor...

- Não, não. Nada de amor. Meus pais viviam falando de amor. ‘Eu te amo.’ ‘Te amo demais.’ ‘Te amo mais e mais.’ Não se constrói uma vida com moral de cantor popular: ‘Love me tender.’ ‘Ne me quitte pás.’ Chega."

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"É importante ter sucesso em alguma coisa nesta vida, mesmo em nossa própria medida, saber que fazemos o possível, o melhor que podíamos. Tenho certeza de que isso torna a morte mais tranqüila."

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A história é a seguinte dois pontos



Todo mundo, e quando digo todo mundo estou falando TODO MUNDO meeesmo, já viu aquele comercial da Fiat, com aquelas belas palavras de um texto chamado MUDE, atribuído equivocadamente à Clarice Lispector. MUDE também está num CD "Filtro Solar", com músicas escolhidas por Schiavo e Pedro Bial. Pois é. As palavras, belas palavras, do comercial e da música no CD, são de EDSON MARQUES (www.mude.weblogger.terra.com.br), que visita e comenta no meu blog. Sim. Ele comenta e elogia. E eu chego em casa explicando tudo pra mamãe e dizendo "Manhêêêêêê, um moço 'conhecido' comenta no meu bloguêêêêê!"


Comercial da Fiat
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É O SEGUINTE

Uma história mal contada (OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA) - http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/

Em 2001, a agência publicitária Leo Burnett criou uma campanha para comemorar os 25 anos da Fiat no Brasil. Um dos pontos altos do comercial era um belíssimo poema sendo narrado em off. Em release divulgado pela agência, o poema é atribuído à Clarice Lispector. Uma matéria no Estado de S.Paulo chegava a dizer: "O publicitário Alexandre Skaff mergulhou na obra de Clarice Lispector e achou inspiração nos versos de ‘Mude’ para criar o filme de 25 anos da Fiat".

Entretanto, o poema "Mude", de larga circulação na internet, já foi atribuído, além de Clarice, também a Paulo Coelho e a Cecília Meireles. Paulo Coelho, com integridade, elogiou o poema mas não o reconheceu como seu. Cecília e Clarice, falecidas, não tiveram chance de fazer o mesmo.

O poeta Edson Marques afirma ser o autor do poema, registrado por ele na Biblioteca Nacional. Além disso, "Mude" também já foi interpretada por Antonio Abujamra, na peça Mefistófeles, e por Pedro Bial, no CD Filtro Solar, da Sony Music, sempre creditada a Edson Marques. Matéria da Veja, de julho de 2003, também cita a poesia "Mude" como sendo de Edson, apesar de comumente atribuída a Clarice.

Talvez tudo seria mais fácil se Edson fosse um autor à moda antiga. Mas "Mude" nunca foi publicada em meio impresso. A poesia existe na internet, nos sites de Edson e em diversos outros sites que a atribuem a ele.

Conversei longamente com Edson Marques. Ele diz não querer dinheiro de ninguém. Só deseja que a Leo Burnett faça uma retratação pública do release onde afirma que "Mude" é obra de Clarice.

A Leo Burnett não quis comentar o assunto. Sua posição oficial é que comprou legalmente os direitos de uso do poema do herdeiro de Clarice Lispector. Ponto.

O herdeiro de Clarice Lispector, seu filho, Paulo Gurgel Valente, da empresa Profit Projetos & Consultoria, se recusou a falar comigo. Sua secretária avisou que ele nunca fala para a imprensa sobre Clarice Lispector, a não ser via fax ou e-mail. Todos meus vários e-mails não foram respondidos.

Cadê o contrato?

A Rocco, editora de Clarice Lispector, também tirou o corpo fora: disse ser somente responsável pelos direitos de publicação da obra da autora. Uma agência que desejasse direitos de licenciamento para um comercial teria que negociar diretamente com o herdeiro.

Edson está oferecendo 10 mil dólares para quem provar que "Mude" é de Clarice. Nenhum voluntário se apresentou. Na obra completa da autora, não há livros de poesia. Além disso, fontes extra-oficiais da Leo Burnett me confirmaram que Alexandre Skaff realmente encontrou a poesia enquanto navegava na internet. Mais uma vez, a internet. Será ela a culpada de tudo?

A história está excessivamente mal-contada. Temos três cenários hipotéticos, cada um com um mentiroso diferente:

1. Edson Marques está mentindo. A poesia é de Clarice e seus direitos foram legalmente cedidos por seu herdeiro à Leo Burnett. Pergunta: onde está essa poesia na obra de Clarice?

2. A Leo Burnett está mentindo. Encontraram a poesia na internet com atribuição indevida, usaram sem pedir autorização e, quando Edson reclamou, inventaram ter comprado os direitos do herdeiro. Pergunta: por que o herdeiro não está fazendo um escândalo? Eu não iria gostar se dissessem que eu vendi algo que não vendi, ainda mais se esse algo não for meu para vender.

3. O herdeiro de Clarice está mentindo. Quando foi procurado pela Leo Burnett, vendeu a eles o direito de uso de uma obra que não possuía. Pergunta: por que a Leo Burnett não reconhece o inocente erro inicial (afinal, muitas outras pessoas também atribuíram esse poema a Clarice) e não faz um escândalo contra o herdeiro, no mínimo, exigindo seu dinheiro de volta?

Por fim, no mês passado, Edson Marques enviou uma notificação extrajudicial à Leo Burnett. Exige ver o tal contrato de licenciamento. Afinal, se ele não existe, a briga de Edson é com a Leo Burnett; se existe, é com o herdeiro.

Infelizmente, parece que a história mal começou.

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Quem é Edson Marques? (www.mude.weblogger.terra.com.br)
Ele por ele mesmo:

Currículo Estudei Filosofia na USP.

Sou quase jornalista pela ECA.

Ex-estudante de Direito no Largo São Francisco.

Criador da empresa de Software Liberdata.

Sou saniasyn: nome Paritosh Keval, dado por Osho, em Poona, India.

Leitor voraz de Nietzsche, Jung, Cioran, Sartre, Freud, Reich, Leminski, Henry Miller, entre outros.

Re-escrevendo o meu livro "Solidão a Mil".

Autor do polêmico "Manual da Separação", 160 páginas, Ed. Filosoft, 1998. SP.

Publicando o romance "Quero que você morra!", com posfácio de Antonio Abujamra.

Publicando o poema "Mude" pela PandaBooks/Editora Original.

Sócio fundador da Ordem Nacional dos Escritores, ocupando a cadeira núemro 6, cujo patrono é Graciliano Ramos.

Diretor do Clube de Poesia de São Paulo - Gestão Ives Gandra da Silva Martins.

Vencedor do Prêmio Cervantes/Ibéria/1993, categoria Narración em Portugués.

Editor do internetjornal (publicado até fins de 2000 pela Folha de S.Paulo Gráfica).

Psicodramatista inquieto.

Autor do poema "Mude", texto do comercial da FIAT, feito pela Agência Leo Burnett, e que o "filho da puta-filho da Clarice Lispector" insiste em dizer que é dela...

Nas horas vagas, "construtor de pirâmides": empresário maluco na área de Construção civil.

E sei que é impossível ser feliz sem liberdade.

Mas também sei que tudo que foi dito acima, exceto a última frase, não tem a mínima importância.
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O que aconteceu? Processo. Claaaaaaro!

Mais notícias:

MUDE, na voz de Simone Spoladore:

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E mais notícias:

Aqui - 1
Aqui - 2
Aqui - 3

Na Veja






Amor nacional

Comecei a noite por baixo, digamos assim. (“Digamos assim”? Quem inventou o recurso? Quem disse que melhora a comunicação? Você não serve pra mim, digamos assim? Este meu amor não chega a ser um universo, digamos assim?).

Mas foi assim: Comecei a noite por baixo.Eu vislumbrei, sem você por perto, ou por dentro, de um jeito fixo ou relevante, por tantas vezes, milhares até, pelo que lembro, o fim daquela noite como tantas outras passadas. Os homens queriam você, virá-la do avesso, torná-la posse única, mastigá-la sem pudor, espremer suas decisões obrigando-as a se equivalerem a “Sim! Eu sou de vocês também!”. Seria difícil; provável, mas difícil. Você estava acima: passos crescidos, olhar vigoroso, destreza que enchia a boca sempre que pedia mais alguma bebida. Virava tudo, todas as bebidas, e não perdia o juízo. A sensatez que eu sempre quis para me ensinar a escolher o melhor restaurante, a comida mais leve, os sebos mais baratos, as roupas mais discretas e a bebida que não me fizesse passar vexame.

Achando que o amor iniciava-se com “Decifra-me”, você me fez afundar, naufragar noutra ilusão:

- Decifra-me em segredo.

Eu lá embaixo, catando minha dignidade, com um humor de cachorro moribundo ainda suplicante de redenção, soluções aguadas para “como responder ou decifrar alguém como ela?”.

- Decifrar?

- É! Disseram-me que você é bom em adivinhar pessoas, entender ocultezas, respeitar diferenças. Tem medo de amar, mas ama. Tem medo de mim, mas quer. Chama-se Raimundo, mas tem nobreza escondida. Então, decifra-me e eu te amarei. Entenda-me de A a Z, descubra-me de leste a oeste, e perdoe, de cima a baixo, meus exageros.

Foi o medo que anuviou meus poucos pensamentos-solução. Eu só soube contar os passos, calcular a quantidade de audácia que seria preciso para livrar-me de você, ou de mim, ou daquele receio de aceitar seu enigma.

(Veja que absurdo é calcular audácia!).

Não foi por correr que suei; aquilo em mim, em gotas, era vapor de coragem, ou resto do seu hálito de alegria de querer alguém como eu. Quando pude me recompor, quando, enfim, tudo em meu corpo era meu de novo, o suor foi extinto pela manga da blusa. Estava eu seco, sem líquido algum. Você longe de mim fazendo-me um deserto refeito.

Como surpresa prateada, lua cheia que embeleza quando é para assustar, você aparece, sem pretensão, me oferece um cachorro-quente, desses que quase matam, veneno barato para uma morte gratuita, cujo prazer está no risco. Ofereceu mais sua sinceridade espaçosa que o cachorro-quente, a iniciativa mais nacional da noite, dentro daquele contexto fashion-importado, e me diz “Quer namorar comigo?”. Engoli a comida com os olhos; você, eu comi assim também: com esperança de uma boa digestão. E sempre que meus olhos iniciam uma refeição não há perigo de digestão insatisfatória. Portanto, estou bem nutrido.

Seu pedido desceu como declaração vitoriana, e minha resposta, audácia pura e calculada de um receoso contemporâneo: Sim. Eu digo “sim” pra você. Digamos assim, só por dizer. Aceito esse seu amor nacional, com cachorro-quente de fim de festa, sem mais mistérios ou descobertas.



"O Writers Guild of America, em um ato revelador de uma certa mania compulsiva por listinhas divertidas, anunciou, em uma festa de gala nessa última terça (7), uma lista com os 101 melhores roteiros do Cinema de todos os tempos. Foi um trabalhão escolher dentre 1400 roteiros selecionados pelos membros, mas depois de muita crítica, discussão e revisões, chegaram aos 101 merecedores. Disse Chris Albers, o presidente da WGA: ' é difícil pensar na vida americana sem esses filmes que constam da lista. Só de ler os títulos nos lembramos das jornadas fantásticas que eles nos proporcionaram'. Num apanhado geral, dos 101, 55 são roteiros originais, 56 são adaptações, 60 são dramas, 26 comédias e 15 comédias dramáticas. O grande ganhador é o mais do que clássico Casablanca. E o resto taí embaixo pra você ver e dizer pra gente se concorda ou discorda!"

1. Casablanca (J. & Philip G. Epstein e Howard Koch, baseado na peça Everybody Comes to Rick's" de Murray Burnett e Joan Alison)
2. O Poderoso Chefão (Mario Puzo e Francis Ford Coppola, baseado no livro de Mario Puzo)
3. Chinatown (Robert Towne)
4. Cidadão Kane (Herman Mankiewicz e Orson Welles)
5. A Malvada (Joseph L. Mankiewicz, baseado numa história de radio chamada "The Wisdom of Eve," escrita por Mary Orr
6. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Woody Allen e Marshall Brickman)
7. Crepúsculo dos Deuses (Charles Brackett, Billy Wilder e D.M. Marshman, Jr.)
8. Rede de Intrigas (Paddy Chayefsky)
9. Quanto Mais Quente Melhor (Billy Wilder e I.A.L. Diamond, baseado num filme alemão escrito por Robert Thoeren e M. Logan, chamado "Fanfare of Love")
10. O Poderoso Chefão 2 (Mario Puzo e Francis Ford Coppola, baseado no livro de Mario Puzo)
11. Butch Cassidy (William Goldman)
12. Dr. Fantástico (Stanley Kubrick, Peter George e Terry Southern, baseado no livro "Red Alert" de Peter George
13. A Primeira Noite de Um Homem (Calder Willingham e Buck Henry, baseado no livro de Charles Webb)
14. Lawrence da Arábia (Robert Bolt e Michael Wilson, baseado na vida e nos escritos de T.E. Lawrence)
15. Se Meu Apartamento Falasse (Billy Wilder e I.A.L. Diamond)
16. Pulp Fiction - Tempo de Violência (Quentin Tarantino e Roger Avary)
17. Tootsie (Larry Gelbart, Murray Schisgal, Don McGuire e Larry Gelbart)
18. Sindicato de Ladrões (Budd Schulberg, baseado nos artigos intitulados "Crime on the Waterfront" de Malcolm Johnson)
19. O Sol é Para Todos (Horton Foote, baseado no livro de Harper Lee)
20. A Felicidade Não se Compra (Frances Goodrich, Albert Hackett e Frank Capra, baseado na história "The Greatest Gift" de Philip Van Doren Stern e contribuições de Michael Wilson e Jo Swerling)
21. Intriga Internacional (Ernest Lehman)
22. Um Sonho de Liberdade (Frank Darabont, baseado no conto "Rita Hayworth and the Shawshank Redemption" de Stephen King)
23. . E O Vento Levou (Sidney Howard, baseado na novella de Margaret Mitchell)
24. Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (Charlie Kaufman, Michel Gondry e Pierre Bismuth)
25. O Mágico de Oz (Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar Allan Woolf, adaptação de Noel Langley, baseado no livro de L. Frank Baum
26. Pacto de Sangue (Billy Wilder e Raymond Chandler, baseado no livro de James M. Cain)
27. Feitiço do Tempo (Danny Rubin e Harold Ramis)
28. Shakespeare Apaixonado (Marc Norman e Tom Stoppard)
29. Contrastes Humanos (Preston Sturges)
30. Os Imperdoáveis (David Webb Peoples)
31. Jejum de Amor (Charles Lederer, baseado na peça "The Front Page" de Ben Hecht e Charles MacArthur
32. Fargo (Joel Coen e Ethan Coen)
33. O Terceiro Homem (Graham Greene)
34. A Embriaguez do Sucesso (Clifford Odets e Ernest Lehman, baseado no livro de Ernest Lehman
35.Os Suspeitos (Christopher McQuarrie)
36. Perdidos na Noite (Waldo Salt, baseado no livro de James Leo Herlihy)
37. Núpcias de Escândalo (Donald Ogden Stewart, baseado na peça de Philip Barry)
38. Beleza Americana (Alan Ball)
39. Golpe de Mestre (David S. Ward)
40. Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro (Nora Ephron) (MAS HEIN?)
41. Os Bons Companheiros (Nicholas Pileggi e Martin Scorsese, baseado no lvro "Wise Guy" de Nicholas Pileggi
42. Os Caçadores da Arca Perdida (Lawrence Kasdan, George Lucas e Philip Kaufman)
43.Taxi Driver - Motorista de Táxi (Paul Schrader)
44. Os Melhores Anos de Nossas Vidas (E. Sherwood, baseado no livro "Glory For Me" de MacKinley Kantor
45. Um Estranho no Ninho (Lawrence Hauben e Bo Goldman, baseado no livro de Ken Kesey
46. O Tesouro de Sierra Madre (John Huston, baseado no livro de B. Traven
47. O Falcão Maltês (John Huston, baseado no livro de Dashiell Hammett)
48. A Ponte do Rio Kwai (Carl Foreman e Michael Wilson, baseado no livro de Pierre Boulle)
49. A Lista de Schindler (Steven Zaillian, baseado no livro de Thomas Keneally)
50. O Sexto Sentido (M. Night Shyamalan)
51. Nos Bastidores da Notícia (James L. Brooks)
52. As Três Noites de Eva (Preston Sturges e Monckton Hoffe)
53. Todos os Homens do Presidente (William Goldman, baseado no livro de Carl Bernstein e Bob Woodward)
54. Manhattan (Woody Allen e Marshall Brickman)
55. Apocalypse Now (John Milius e Francis Coppola)
56. De Volta para o Futuro (Robert Zemeckis e Bob Gale)
57. Crimes e Pecados (Woody Allen)
58. Gente como a Gente ( Alvin Sargent baseado no livro de Judith Guest)
59. Aconteceu Naquela Noite (Robert Riskin, baseado no conto "Night Bus" de Samuel Hopkins Adams
60. Los Angeles - Cidade Proibida (Brian Helgeland e Curtis Hanson, baseado no livro de James Ellroy
61. O Silêncio dos Inocentes (Ted Tally, baseado no livro de Thomas Harris)
62. Feitiço da Lua (John Patrick Shanley)
63. Tubarão (Peter Benchley e Carl Gottlieb, baseado no livro de Peter Benchley)
64. Laços de Ternura (James L. Brooks, baseado no livro de Larry McMurtry)
65. Cantando na Chuva (Betty Comden e Adolph Green, baseado na música de Arthur Freed e Nacio Herb Brown)
66. Jerry Maguire - A Grande Virada ( Cameron Crowe)
67. E.T. - O Extraterrestre (Melissa Mathison)
68. Star Wars (George Lucas)
69. Um Dia de Cão (Frank Pierson, baseado num artigo de uma revista escrito por P.F. Kluge e Thomas Moore
70. Uma Aventura na África (James Agee e John Huston, baseado no livro de C.S. Forester)
71. O Leão no Inverno (James Goldman, baseado na peça de James Goldman)
72. Thelma & Louise (Callie Khouri)
73. Amadeus (Peter Shaffer, baseado na peça de Peter Shaffer)
74. Quero Ser John Malkovich (Charlie Kaufman)
75. Matar ou Morrer (Carl Foreman, baseado no conto chamado "The Tin Star" de John W. Cunningham)
76. O Touro Indomável (Paul Schrader e Mardik Martin, baseado no livro de Jake La Motta com Joseph Carter e Peter Savage)
77. Adaptação (Charlie Kaufman e Donald Kaufman, baseado no livro "The Orchid Thief" de Susan Orlean)
78. Rocky, Um Lutador (Sylvester Stallone)
79. Os Produtores (Mel Brooks)
80. A Testemunha (Earl W. Wallace, William Kelley e Pamela Wallace)
81. Muito Além do Jardim (Jerzy Kosinski, inspirado no livro de Jerzy Kosinski)
82. Rebeldia Indomável (Donn Pearce e Frank Pierson, baseado no livro de Donn Pearce)
83. Janela Indiscreta (John Michael Hayes, baseado no conto de Cornell Woolrich)
84. A Princesa Prometida (William Goldman, baseado em seu próprio livro)
85. A Grande Ilusão (Jean Renoir e Charles Spaak)
86. Ensina-me a Viver (Colin Higgins)
87. 8 ½ (Federico Fellini, Tullio Pinelli, Ennio Flaiano, Brunello Rond)
88. Campo dos Sonhos (Phil Alden Robinson, baseado no livro de W.P. Kinsella
89. Forrest Gump - O Contador de Histórias (Eric Roth, baseado no livro de Winston Groom)
90. Sideways - Entre Umas e Outras (Alexander Payne e Jim Taylor, baseado no livro de Rex Pickett)
91. O Veredicto (David Mamet, baseado no livro de Barry Reed)
92. Psicose (Joseph Stefano, baseado no livro de Robert Bloch)
93. Faça a Coisa Certa (Spike Lee)
94. Patton - Rebelde ou Herói? (Francis Ford Coppola e Edmund H. North, baseado em "A Soldier's Story" de Omar H. Bradley e "Patton: Ordeal and Triumph" de Ladislas Farago
95. Hannah e Suas Irmãs (Woody Allen)
96. Desafio à Corrupção (Sidney Carroll e Robert Rossen, baseado no livro de Walter Tevis)
97. Rastros de Ódio (Frank S. Nugent, baseado no livro de Alan Le May)
98. As Vinhas da Ira (Nunnally Johnson, baseado no livro de John Steinbeck)
99. Meu Ódio será sua Herança (Walon Green, Sam Peckinpah e Roy Sickner)
100. Amnésia (Christopher Nolan, baseado no conto "Memento Mori" de Jonathan Nolan)
101. Interlúdio (Ben Hecht)

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Carta ao que não se sabe - 2

Toda essa sua altura é segurança, e sua beleza é desperdício; partilhe, então, comigo, parte desse encantamento e glória e me dê a chance de salvação. Abale meu mundo com suas escolhas onerosas, transforme-se e retribua os significados que te emprestei quando meu amor tinha cara de amor maior do mundo. E que eu consiga ser você sem mais amor por toda a vida. Porque me dói ser assim sem você.

Não haverá mais nenhum absurdo: seu corpo inegavelmente sem dor, aqui ao lado do meu, gemendo em alegria, absorvendo meus suspiros, sentindo uma vergonha habitual, de sorriso mostarda, desses de quando chamamos de Maria uma mulher que se chama Teresa. Humildade. O nosso amor precisa tomar banho de modéstia: não é maior do que o de muita gente, não é melhor do que aquele que existiu cinco anos atrás.

Deixemos surgir os verbos que combinam com fins de tarde de sábdo e paixão renascida; deixemos brilhar no canto dos olhos o amor declarado pelos cantos da boca; escolhamos sempre um ao outro mesmo quando outras opções apresentem-se irresistíveis.

Aviso prévio, e de peso: Estou gordo, oleoso e absoluto. O que não é tão simples, pois soa como sentença; falando, e digerindo a verdade, estou inacreditavelmente gordo e irremediavelmente absoluto. Não. Não é tão simples. Às vezes acho que estou começando a fritar nesse calor todo. Fritura. Vocação para fritura. Imagine só. É desconfortável porque sempre que alguém declara frases pretensiosas e costumeiras proclamando atributos próprios – "Traga as fritas que o filé chegou" – fico sempre achando que é uma ofensa descabida bem direcionada e mal intencionada. Quem é “frito” aqui? Oleoso, sim; frito, never.

Exagero inoportuno. Mas nunca dei chance às minhas contenções. Nem quando estou sozinho há moderação, ou quando digo que bom mesmo é assistir dezesseis episódios da sua série preferida ou rever Quando Paris alucina com emoção de cor nova. A maioria dos meus sentimentos, dramas alimentares e existenciais – ligação perigosa – veio assim: aos baldes. Enxurrada de mim que leva você rio abaixo.
Eu sei: eu sou você com mais amor.Não. Você sou eu com menos sentimento. Dá no mesmo. E nem somos duas paixões iguais que sempre se quiseram ou se bastaram.

Na verdade, é tudo perda de tempo, fluir de energia, portanto, não vou mais querer pular do topo desse grande amor de sonho e me despedaçar todinho lá embaixo só pra você me juntar e guardar com apreço. Acho que alguém já disse isso! Disse? Claro que você não sabe.

E se você voltar do nada, desse seu tudo que parece mesmo nada, falando com pompa e afetuosamente inteligente, saiba: O amor por você, que eu quis para sempre, morre todo dia um pouquinho, mas a vida sempre trata de colocar alguém melhor e sem orgulho, sem muita fé em si, com um querer sem auto-suficiência, com um gostar tão limpo e claro que me deixa a cada dia querendo ser eu mesmo e não saltar dessas alturas que me cegam.

Mas nunca vai ser do mesmo jeito. Havendo ou não repetições. A próxima vez vai ser mais madura: Tudo é sempre diferente até quando é parecido.